A revolução de Santos que permitirá ao Brasil navegar por mares mais competitivos

Fonte: Jota

Paulo Alexandre Barbosa

Pacote de obras no porto e na Baixada Santista prometem melhora logística, redução de custos e geração de empregos

Não é só por conta da reedição da dupla Neymar e Gabigol na Vila Belmiro que o país deve prestar atenção em Santos a partir do início deste ano. A principal cidade da Baixada Santista começa a passar por uma série de obras e transformações que vão colocá-la em outro patamar. O sucesso dos atacantes reacende a expectativa pelo hexa. Mas o êxito das obras eleva o upgrade econômico regional. Ser novamente campeão do mundo em julho é bom. Ter um país competitivo é melhor ainda.

Não se trata de uma afirmação individual, mas da legitimidade de quem nasceu aqui e conhece a realidade local, porque boa parte das mudanças que estão acontecendo irá impactar em todo o país. Temos muito orgulho de abrigar o maior e mais movimentado porto organizado do Brasil e da América Latina, crucial para o comércio exterior brasileiro, com forte impacto no setor terciário (serviços e comércio) das cidades da região, que também se destaca pelo turismo.

A APS (Autoridade Portuária de Santos) estima que o cluster santista bateu, em 2025, recorde de movimentação pelo nono ano consecutivo, com 185 milhões de toneladas movimentadas, de acordo com cálculos preliminares. Se confirmada, será a maior marca da história do principal complexo portuário nacional. O volume representará também um crescimento de 2,8% em relação a 2024, quando transitaram pelo porto 179,8 milhões de toneladas. A avaliação é que o número de navios atracados tenha sido, em 2025, superior aos 5.557 do ano anterior.

Quando o assunto é contêineres, o porto também já tem marcas excepcionais, baseado em dados coletados até outubro. Movimentou-se 2,8 milhões de TEUs no primeiro semestre, com um pico histórico em outubro, com 482,0 mil TEUs, refletindo um crescimento acelerado impulsionado pela maior inserção do Brasil no comércio internacional – por isso está passando da hora o leilão do novo terminal (Tecon 10). A projeção de movimentação de TEUs até dezembro último bateu os 5,3 milhões de TEUs.

Este 2026 será decisivo para o porto. Até o final do primeiro semestre está previsto o lançamento do edital para o Tecon 10, o megaprojeto que aumentará em até 50% a capacidade de movimentação de contêineres, evitando gargalos logísticos e lançando o Porto de Santos para o ranking dos 20 maiores do mundo. A expectativa é de um investimento próximo dos R$ 7 bilhões para a construção, contratação de mão de obra e aquisição de modernos equipamentos que o setor já opera em outras partes do mundo.

A capacidade do complexo santista está próxima de atingir o limite operacional, o que aumenta filas de caminhões com carga, tempo de espera de navios na barra de Santos e, infelizmente, distribui prejuízos para todos os atores da cadeia econômica que desenvolve o comércio exterior.

Em 2025 a média do tempo de espera dos navios de contêineres para atracar no porto foi de 26 horas, representando um prejuízo com demurrage de navios estimado em R$ 1,17 bilhão. Com as obras do futuro terminal Tecon 10, a expectativa é de que haja um aumento de capacidade de até 3,5 milhões de TEUs anualmente.

Isso significa melhora na eficiência logística, redução do Custo Brasil – estimado em R$ 1,7 trilhão, segundo levantamento feito pelo Movimento Brasil Competitivo em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – e diminuição de encargos e prazos para exportação e importação, impactando positivamente o comércio exterior brasileiro e gerando empregos. Mas nem só o Tecon 10 representa um futuro promissor na nossa Baixada Santista.

Vale lembrar que esta obra possibilitará também outro empreendimento: a transferência do Terminal Marítimo de Passageiros da região de Outeirinhos para o Valongo, crucial para modernizar e ampliar a infraestrutura de cruzeiros, revitalizando a área central e atraindo mais e novos navios de passageiros para a região.

Ainda dentro do cais santista, nos próximos anos teremos as dragagens de aprofundamento gradual do canal, atualmente com 15 metros, para 17 metros. Parte desta obra está dentro do estudo de concessão do canal de acesso do Porto de Santos que atualmente está em fase de consulta pública – a tendência é que o leilão aconteça ainda em 2026 com investimento estimado de R$ 6 bilhões.

Mas nem só com obras no porto a população deverá conviver nos próximos anos. Teremos a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, que deve ampliar em 25% a capacidade total do Sistema Anchieta-Imigrantes e aumentar em 145% a capacidade de descida de caminhões. O empreendimento deverá custar entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões com obras previstas para o segundo semestre de 2026.

Venho conversando com o governo e o retorno que tenho é que esta obra terá o seu licenciamento até o fim de 2026, com início das obras em 2027 e entrega por volta de 2030-2031. Já posso dizer que, ao final desta obra, teremos a necessidade de realizar uma quarta pista de acesso a Santos.

Isso porque o porto movimenta hoje mais de 5,4 milhões de TEUs e, como dito anteriormente, o Tecon Santos 10, sozinho, deverá alcançar a ordem de 3,5 milhões de TEUs. Precisamos planejar desde já redundância e capacidade adicional para que a economia não pare quando a demanda crescer.

Outro projeto muito importante – ao qual tenho me dedicado com afinco – é o Túnel Santos-Guarujá. Uma obra de infraestrutura inédita no Brasil que possibilitará uma travessia submersa por módulos de concreto que conectará Santos a Guarujá por baixo do canal do porto. Esse empreendimento é aguardado há mais de 100 anos e terá um investimento total calculado em R$ 6,8 bilhões. Tivemos o leilão em setembro de 2025 e o início efetivo da construção está previsto para este ano.

Para o setor aeroportuário estamos vendo o encaminhamento das obras no Aeroporto do Guarujá (investimentos estimados em R$ 26,8 milhões com obras que devem ser concluídas no primeiro semestre deste ano), uma aspiração regional que completa mais de 80 anos de história. Integrado ao túnel Santos-Guarujá e ao novo Terminal Marítimo de Passageiros, ele forma um tripé de infraestrutura capaz de impulsionar turismo, logística e negócios na Baixada Santista.

Não podemos esquecer também da FIPS (Ferrovia Interna do Porto de Santos), com um investimento previsto de mais de R$ 1 bilhão focado na expansão e modernização da infraestrutura ferroviária portuária para dobrar a capacidade de movimentação de carga para mais de 100 milhões de toneladas/ano.

Essa carteira de projetos estratégicos para a Baixada Santista prevê um volume de investimentos robustos que ultrapassa a cifra de R$ 20 bilhões, a serem executados no horizonte dos próximos cinco anos. A materialização desses empreendimentos resultará na criação de um expressivo contingente de mais de 300 mil postos de trabalho apenas na fase de construção.

Este é um marco fundamental que não só impulsionará o mercado de trabalho local, mas servirá como um vetor de transformação permanente para o desenvolvimento socioeconômico de toda a nossa região, consolidando um novo paradigma de prosperidade e oportunidade.

Farei questão de acompanhar todos esses empreendimentos de perto. Acredito que a infraestrutura é uma das principais formas de destravar investimentos para o Brasil. Tanto foi assim que, logo no início do meu mandato, criei a Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA), que reúne deputados e senadores para debater e destravar investimentos não só para o meu estado, mas para todo o Brasil.

O principal objetivo que idealizei para a FPPA foi o de conectar o setor privado, o governo e o Congresso para garantir segurança jurídica e acelerar projetos importantes. Essa frente parlamentar já está entre as principais do país, o que ajuda bastante para que todas essas obras possam acontecer de fato.

Como se vê, 2026 está cercado de muitos planos e expectativas. Não é sempre assim todo início de ano? Mas não podemos apenas aguardar. Precisamos fazer com que as coisas aconteçam de fato. Um incremento na qualidade da infraestrutura em Santos e de seu porto poderá fazer com que o Brasil navegue por mares mais competitivos, reforçando antigos laços e abrindo novas rotas comerciais.

Vamos desmentir, desta vez na prática, a máxima repetida pelo ex-ministro do Planejamento Roberto Campos: “O Brasil nunca perde a oportunidade de perder oportunidades”.

Publicado originalmente no Portal Jota

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