Defasagem portuária impede recorde ainda mais expressivo na exportação de café brasileiro

A defasagem na infraestrutura portuária do país aumentou a lista de adversidades que os exportadores de café enfrentaram em 2025. “Apesar dos recordes de exportação anunciados pelas autoridades públicas, a falta de estrutura adequada para cargas conteinerizadas nos portos brasileiros gerou um prejuízo de R$ 61,467 milhões a nossos associados no acumulado do ano passado até novembro – dados mais recentes serão divulgados em breve – devido a custos extras com armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions, que são resultados do atraso e das alterações de escalas dos navios”, afirma Márcio Ferreira, presidente do Cecafé.
De acordo com dados do Boletim Detention Zero, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 55% dos navios enfrentaram atrasos ou alterações de escalas na média mensal de 2024 até novembro, o que fez com que 613,4 mil sacas — 1.859 contêineres — por mês, também no cálculo médio desses 11 meses, não conseguissem embarques para o exterior.
Santos foi o principal porto de embarque dos cafés do Brasil em 2025, com a remessa de 31,515 milhões de sacas ao exterior e representatividade de 78,7%. Na sequência, aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 17,7% do total ao exportar 7,092 milhões de sacas, e o Porto de Paranaguá (PR), que enviou 371.342 sacas para fora do país (0,9%).
Ferreira aponta o cenário mercadológico internacional e os constantes investimentos dos produtores brasileiros como principais motivadores para o recorde de vendas para o exterior no ano que passou. “Tivemos médias mensais de preço maiores em 2025 e nossos cafeicultores, bem-organizados, mantêm seus investimentos em tecnologia, inovação e qualidade, o que eleva o patamar dos cafés do Brasil e, consequentemente, o seu valor. Não à toa, somos a única origem do mundo que consegue exportar para mais de 120 países, respondendo por mais de um terço do market share global”, aponta.
O Cecafé, fundado em 1999, conta, atualmente, com mais de 100 associados, entre exportadores, produtores, associações e cooperativas de café no Brasil, que respondem por 96% dos agentes desse mercado no Brasil.