Entidade dos principais armadores defende leilão do Tecon Santos 10 sem restrições

Fonte: Redação Porto Livre Brasil

Crédito: Vosmar Rosa/MPor

A associação dos armadores reunidos pelo Centronave contesta a orientação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) de proibir a participação dos donos dos navios no leilão portuário do terminal de contêineres Tecon Santos 10.

Os 20 armadores de longo curso presentes no Brasil consideram que a modelagem proposta para o leilão impacta negativamente um setor econômico tido como essencial para toda a economia do país, ressaltando que as restrições não apresentam justificativas legais ou econômicas consistentes e não encontram precedentes nos mercados estrangeiros.

Em anúncio publicado no jornal especializado VALOR Econômico de hoje, 6 de fevereiro, o Centronave reafirma que “o Brasil não precisa de menos concorrentes, mas sim de mais investimentos em infraestrutura portuária, como a ampliação de berços de atração, a construção de novos cais e a realização de obras que impulsionam o setor. A proibição de um leilão aberto significa penalizar quem oferece soluções e consiste em não enfrentar o desafio da insuficiência de infraestrutura, que limita o desenvolvimento e a competitividade do país”.

As companhias de navegação afirmam, em seu manifesto, que movimentam mais de 97% das cargas conteinerizadas do comércio exterior no país e defendem o leilão em fase única e “livre de restrições”, o que permitirá a ampla concorrência e, consequentemente, maior valor de outorga.

Confira a íntegra do posicionamento do Centronave em anúncio no jornal VALOR Econômico:

Leilão do Tecon Santos 10
Armadores reiteram ao MPOR e ANTAQ solicitação de livre concorrência e de rejeição do modelo que veda a participação do setor

1 – O CENTRONAVE – Centro Nacional de Navegação Transatlântica (CNNT) representa no Brasil os 20 principais armadores globais que atuam na navegação de longo curso e que movimentam mais de 97% das cargas conteinerizadas do Comércio Exterior do país. Este setor fundamental da atividade econômica – que transporta cerca de 95% das exportações e importações brasileiras – vem a público manifestar sua grande preocupação com o déficit de capacidade da infraestrutura portuária nacional, sobretudo em Santos, prejudicando diretamente nosso Comércio Exterior, sua expansão, e todos os dependentes desse ecossistema.

2 – Recentemente, as preocupações deste setor econômico se intensificaram diante das recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU) ao Ministério dos Portos e Aeroportos (MPOR) e à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), determinando a proibição da participação de armadores no principal leilão portuário da história recente do Brasil, o terminal de contêineres Tecon Santos 10. Trata-se de uma decisão que impacta negativamente um setor econômico essencial para toda a economia brasileira, abrangendo do agronegócio à indústria, ao adotar uma modelagem que não apresenta justificativa legal ou econômica consistente e que não encontra precedentes nos mercados internacionais.

3 – Não é sem motivo que o setor está estarrecido diante de uma medida que, de forma discriminatória, impede a participação de armadores que operam no Brasil há décadas, realizam investimentos bilionários em infraestrutura de navegação – tais como navios, contêineres, equipamentos, máquinas – na ordem de bilhões de dólares e sem a utilização de recursos públicos. Tal decisão não apenas exclui importantes players comprometidos com o desenvolvimento do país, como também contribui para retardar ainda mais a realização de investimentos essenciais ao Porto de Santos e ao Comércio Exterior.

O mercado espera há mais de cinco anos a licitação deste ativo, num país que há mais de doze não coloca em operação qualquer novo importante terminal de contêineres.

4 – Sem apresentar dados fáticos que embasem a decisão, o acórdão do TCU agravou as restrições propostas inicialmente pela modelagem da ANTAQ, que restringia a participação de “incumbentes” (armadores de terminais já atuando em Santos) na primeira de duas fases do futuro leilão. A Corte de Contas introduziu a inédita prática discriminatória de excluir sumária e generalizadamente um setor econômico, em todas as suas diversas especialidades.

5 – E mais: vedou qualquer tipo de associação do setor com investidores ou fundos brasileiros ou globais eventualmente interessados, empresas coligadas, operadores portuários, além de acordos técnicos, operacionais, comerciais ou de qualquer tipo. Ou seja, insustentável, com limitações que contrariam todas as práticas mundiais de atração de capitais e de investimentos, e exatamente num país que tanto precisa desenvolver sua infraestrutura.

6 – Surpreende que a modelagem proposta possa causar redução dos recursos arrecadados, comprometendo o valor da outorga. São medidas que reduzem a competição pelo ativo, vedando a participação de empresas com experiência no setor e que são justamente os players que possuem o capital, a expertise e o maior interesse direto na eficiência operacional, diminuindo a concorrência, o valor pago e o compromisso de investimentos, afastando e assustando o capital privado global em um momento em que o Estado não possui recursos para investir. Empresas plenamente qualificadas – detentoras de conhecimento, experiência, práticas ambientalmente sustentáveis, tecnologias inovadoras e robustez financeira – para fazer do Tecon Santos 10 um caso de sucesso em investimentos e infraestrutura portuária. Por quê?

7 – A situação torna-se ainda mais controversa diante da clara divergência de entendimentos registrada na decisão do plenário do TCU que, ao aprovar – sem unanimidade – o voto do Relator Revisor, acabou por contrariar expressamente não apenas o voto fundamentado do Relator, mas também o parecer da Procuradoria Geral do próprio TCU, as recomendações do órgão técnico interno SEINFRA/AudPortoFerrovia, além do Ministério da Fazenda e de opiniões semelhantes do órgão antitruste brasileiro CADE em outros processos, avaliações e em painel realizado no mesmo Tribunal. E, finalmente, não como técnico que benefícios a vedação de participação de armadores traria àquele que mais depende de porto: o Comércio Exterior.

8 – Por todas essas razões, o setor econômico da navegação de longo curso manifesta seu estarrecimento e indignação com as recomendações feitas pelo TCU ao MPOR e à ANTAQ, não entendendo ao que possam interessar.

9 – O CENTRONAVE reconhece o esforço conjunto dos diversos órgãos no interesse do desenvolvimento do Comércio Exterior e na redução do Custo Brasil, dialogando para a revisão do processo para o desenvolvimento, buscando a melhoria da eficiência portuária. Portanto, o CENTRONAVE e seus Associados reiteram ao MPOR e à ANTAQ a solicitação várias vezes veiculada anteriormente de que o leilão do Tecon Santos 10 seja livre de restrições, permitindo democraticamente a participação de quaisquer interessados em uma só fase, o que sem dúvida aumentará a concorrência e, substancialmente, o valor da outorga.

10 – O CENTRONAVE e seus Associados reiteram seu compromisso com o desenvolvimento do Brasil, a liberdade concorrencial e a competição. São os transportadores marítimos que conectam a produção nacional ao mundo.

O Brasil não precisa de menos concorrentes, mas, sim, de mais investimentos em infraestrutura portuária, como a ampliação de berços de atracação, a construção de novos cais e a realização de obras que impulsionem o setor. Impor restrições à participação de empresas interessadas em investir sob o argumento de um hipotético risco concorrencial – já tecnicamente descartado por órgãos como TCU/AudPortoFerrovia, Ministério Público/TCU, CADE e ANTAQ (conforme NOTA TÉCNICA nº 51/2025/CGP/SRG) – significa penalizar quem oferece soluções e não enfrentar o verdadeiro desafio: a insuficiência de infraestrutura, que limita o desenvolvimento e a competitividade do país.

CENTRONAVE

Centro Nacional de Navegação Transatlântica
Rua Bacaetava 191 – Cj 302
Vila Gertrudes – São Paulo – SP – 04705-010
Tel +55 11 3791 2431 | www.centronave.org.br

Veja mais notícias pela livre concorrência

Logisitica brasil
CE Brasil
Aexa
Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo
Frente Parlamentar de Postos e Aeroportos
Associação Comercial de Santos
Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
IBI

Uma iniciativa do

CE Brasil logo