Gargalos logísticos e falta de contêineres limitam potencial do recorde nas exportações de café do Brasil

O Porto de Santos lidera o escoamento de mais de 70% do produto, mas entraves na infraestrutura portuária e falta de contêineres causam rolagens de carga e geram prejuízos ao setor.

Fonte: Redação Porto Livre Brasil
15 de outubro de 2026

 

Apesar dos fortes volumes de café brasileiro embarcado nos primeiros nove meses de 2026, os gargalos estruturais na logística nacional continuam limitando o verdadeiro potencial exportador do país. O complexo portuário santista respondeu por 70,7% do produto destinado ao comércio internacional até setembro, com 20,5 milhões de sacas escoadas, conforme reportagem publicada no portal Porto Livre Brasil. No entanto, a entidade representativa setorial Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) alerta que a infraestrutura saturada impede volumes mais expressivos.

O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron Santos, acrescenta que as entidades do setor cafeeiro tinham uma expectativa de embarcar um volume maior do produto no mês de setembro, já que a nova safra começa a entrar no mercado efetivamente no começo de agosto. “Em agosto, vimos que o Brasil teve uma exportação de 4,3 milhões de sacas. Acreditávamos que o volume de café iria aumentar e estaríamos em patamares acima de 4 milhões de sacas. Mas isso não ocorreu em setembro porque verificamos que houve uma redução de 8,7%, na comparação de agosto com setembro. Saímos de 4,3 milhões de sacas embarcadas para 3,9 milhões em setembro”, registra.

O campo e as processadoras de café garantem a produção em alta, mas problemas logísticos recorrentes nessa cadeia acabam deixando sacas e mais sacas na beira dos cais, lamenta o diretor do Cecafé. “Muitas cargas estão rolando de um mês para o outro por conta da incapacidade da infraestrutura do país em permitir que elas sigam o fluxo normal de exportação”. O panorama para os embarques segue desafiador neste segundo semestre, período em que geralmente há um volume maior de café para ser exportado. “Acreditamos que a situação difícil também vai permanecer nos próximos meses”, lamentou ele.

Queda menor na movimentação de contêineres

Enquanto o impacto negativo pesa mais sobre as exportações em sacas, a carga de café que segue por contêineres tem melhor sorte rumo aos mercados internacionais. Heron diz que até setembro último foram embarcados 96,1 mil TEUs com o produto, contra os 96,9 mil TEUs de janeiro a setembro de 2025, “o que representa uma queda de 0,7%” na comparação dos mesmos nove meses. Para o diretor do Cecafé, esse dado antecipa que o setor pode encontrar dificuldades na oferta de contêineres de 20 pés para a exportação – em quase sua totalidade, o comércio internacional de alimentos, como o café, busca o contêiner padrão de 20 pés.

“O café é uma commodity muito sensível a fatores externos, como cheiro, temperatura do contêiner, umidade etc. O café pode perder qualidade e atributos importantes se não for acondicionado da forma correta e em contêineres adequados. Os contêineres que levam café verde também levam café solúvel, sempre no padrão alimento”, detalhou. “Mais de 85% a 90% do café produzido no Brasil é embarcado em contêineres, por conta do seu manuseio, tanto aqui quanto no exterior. O café não é uma carga solta dentro do contêiner. Existem várias formas de estufar o café dentro da estrutura. Podemos encontrar contêineres com sacarias de juta de 60 kg, sacarias big bags de uma tonelada etc.”. 

Heron recorda que, apesar do atual protagonismo do Porto de Santos de janeiro até agora no embarque de café, o maior complexo portuário do Hemisfério Sul já apresentou índices muito melhores no passado. A dificuldade atual é causada com as cargas que não chegam consolidadas para o embarque e aos transportes que não podem entrar no terminal e precisam ficar para trás, caindo para a rolagem, “o que traz desafios para o comércio exportador de café”. Quando acontece a rolagem, o contêiner não segue no navio originalmente planejado e fica para trás esperando a próxima embarcação disponível.

Na segunda colocação do ranking nacional de exportação de café o destaque é o Porto do Rio de Janeiro. Responsável por 25,2% dos embarques do produto, essa posição é impulsionada, em parte, pelo café tipo conilon colhido no Espírito Santo, com o trânsito aduaneiro se iniciando em terras capixabas e consolidado nos terminais fluminenses. 

Embarques do café brasileiro para a Europa e os EUA

Em relação aos embarques do produto para portos de mercados como Alemanha e Bélgica, Heron destaca que a Alemanha sempre esteve na segunda posição entre os maiores compradores de café do Brasil. O país europeu tem a marca de maior exportador de café industrializado do mundo, “sem ter um único pé de café plantado em seu território”, destaca.

Já a Bélgica, como a Alemanha, conta com terminais integrados a bolsas de mercadorias (ou commodities), as quais responsáveis por escoar e certificar o café negociado junto ao mercado financeiro. “No período de janeiro a setembro deste ano, a Bélgica registrou um aumento de 44,5% nas importações de café do Brasil, muito por causa dos tipos de cafés robusta, como o café conilon, que majoritariamente é negociado na Bolsa de Londres, mas que saem de armazéns na Bélgica”, registrou ele. 

A Alemanha vinha importando o produto brasileiro em volumes acima de 3,3 milhões de sacas, mas neste ano registra uma queda de 11,3%. No período de janeiro a setembro deste ano, o maior importador do café Made in Brazil foram os Estados Unidos, embora apresentaram uma redução de 12,8% no volume e tiveram uma participação de 13,1%. Em seguida, vêm a Alemanha, com 11,4%; Itália (8,9%) e Bélgica (8,5%).

“São mercados importantes, tradicionais compradores de café do Brasil. Nota-se que, ao longo dos anos, essas posições se alternam com muito pouca frequência, por conta de serem mercados de cafés comercializados em bolsa e destinados para as indústrias de torrefação”, detalha o diretor do Cecafé.

 

Veja mais notícias pela livre concorrência

Logisitica brasil
CE Brasil
Aexa
Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo
Frente Parlamentar de Postos e Aeroportos
Associação Comercial de Santos
Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
IBI

Uma iniciativa do

CE Brasil logo