Frentes parlamentares se unem no seminário Agroportos 2026 em busca de soluções para gargalos logísticos do país

Fonte: Redação Porto Livre Brasil

Representantes das Frentes Parlamentares de Portos e Aeroportos e da Agropecuária realizaram um debate institucional estratégico, ao integrar os dois principais elos da cadeia exportadora brasileira: a produção e o escoamento

Daniela Reinehr (Foto)

Qual é o peso da falta de infraestrutura nacional para o próprio desenvolvimento do Brasil? Foi para responder a essa pergunta que parlamentares, especialistas e representantes da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) se reuniram nesta quarta-feira, 8, em Brasília (DF), no “Seminário Agroportos 2026: Sinergia para o Brasil que Exporta”.

Pela primeira vez, as duas frentes parlamentares representantes dos elos estratégicos da cadeia exportadora, da produção ao escoamento, estruturaram uma agenda comum com a finalidade de propor soluções para dirimir os gargalos logísticos que impactam no custo Brasil. A despeito das recentes tentativas governamentais de ajustes regulatórios para destravar entraves à infraestrutura nacional, o setor portuário brasileiro ainda tem desafios estruturais persistentes, que comprometem a competitividade do Brasil frente aos demais mercados exportadores mundiais.

O seminário contou com a participação dos deputados federais Tião Medeiros (PP/PR), Daniela Reinehr (PL/SC) e Arthur Maia (União-BA), relator do PL 733/2025, sobre um novo marco legal para o sistema portuário brasileiro e a atualização da Lei dos Portos. Também estiveram presentes o senador Sérgio Petecão (PSD/AC) e especialistas e associados do Instituto Brasil Infraestrutura (IBI) e do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), entidades que subsidiam tecnicamente ambas as frentes parlamentares com estudos, dados e propostas estruturantes.

“O Brasil é um país no qual vale a pena investir”

Na abertura, Mauro Sammarco (presidente da Associação Comercial de Santos), Valter Luís de Souza (diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional do Transporte), Mário Antônio Pereira Borba (representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e os parlamentares Tião Medeiros, Daniela Reinehr e Arthur Maia traçaram um panorama dos entraves que prejudicam as maiores cadeias de produção e escoamento do país. 

De acordo com levantamentos da CNT, mais de 60% da malha rodoviária nacional evidencia algum nível de deficiência, o que eleva os custos operacionais e amplia as perdas logísticas. A baixa alternativa de modais também foi relatada, uma vez que o transporte rodoviário segue responsável por cerca de 65% do escoamento da produção agrícola e pecuária. Também mereceu destaque o déficit na oferta de armazenagem, estimado em mais de 100 milhões de toneladas. O consenso é que essa realidade pressiona o sistema logístico, especialmente em períodos de safra recorde, resultando tanto em perdas quanto em maiores custos.

“Os gargalos logísticos não interferem apenas em R$ 1 trilhão de produtos exportados pelo país. Prejudicam, sobretudo, o agronegócio, que corresponde a um terço do PIB da economia nacional e também a um terço dos empregos formais do Brasil”, enfatizou o deputado federal Tião Medeiros. “O que queremos é trazer, para o país, desburocratização, melhoria nos processos e maior eficiência, para dar certeza ao mundo, neste universo competitivo gigantesco em que a gente vive, de que nós somos um país onde vale a pena investir”, ressaltou, na sua vez, a deputada federal Daniela Reinehr. 

Estradas vicinais: malha ignorada de 1,4 milhão de km 

Durante a mesa de debates, a assessora técnica Elisangela Pereira Lopes, da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apresentou um estudo inédito, que trata da precariedade das estradas vicinais, levantamento que deu origem ao PL 1.146/2021, sobre a Política Nacional de Mobilidade Rural e Apoio ao Escoamento da Produção Agropecuária (Estradas da Produção Brasileira), focado em melhorar as estradas vicinais em pequenos municípios. A proposta objetiva facilitar o transporte agrícola, definir regras de conservação dessas vias e criar um conselho gestor. 

Para a técnica da CNA, muito se fala nos desafios apresentados pelas grandes rodovias federais, mas pouco se comenta sobre as estradas vicinais, que são as pequenas vias, muitas vezes sem asfaltamento, que levam a produção do campo para o caminho dos grandes mercados consumidores. 

No estudo completo, que mapeia as principais estradas vicinais de todo o país, por estado, ficam evidentes os muitos problemas que ocorrem por se desconsiderar o fator das estradas vicinais na questão geral dos gargalos logísticos do Brasil. De acordo com esse levantamento, a rede de estradas brasileiras conta com 1,72 milhão de km, dos quais 1,4 milhão de km correspondem a estradas vicinais e rurais de terra, mas que exercem importante papel no desenvolvimento econômico e social brasileiro. 

Entrevistas inéditas do Porto Livre Brasil

Atento ao evento, o senador Sérgio Petecão (PSD/AC) reforçou sua preocupação quanto aos investimentos na logística nacional, com a demora e os entraves ao leilão do Tecon Santos 10, o futuro terminal de contêineres no Porto de Santos. O parlamentar assinalou que “todo o tipo de retardamento ao leilão não é bom para o país. Quanto mais celeridade tivermos [em relação ao leilão], isso ajuda a economia [brasileira] em todos os sentidos”. 

Reconhecido por sua experiência no setor cafeeiro, o diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Eduardo Heron, renovou sua frustração com os adiamentos do leilão do Tecon Santos 10. “Não faz o menor sentido adiarmos ainda mais esse leilão, primeiro porque nós defendemos a concorrência, e não concorrentes. Nós acreditamos que as autoridades públicas no Brasil têm competência para auditar, fiscalizar e coibir eventuais prejuízos ou concentrações que pudessem prejudicar a carga. […] Não faz o menor sentido criarmos restrições que pudessem levar esse importante leilão à judicialização. Então, é um cenário bem adverso”, afirmou ele. 

Em relação aos gargalos apontados na infraestrutura de transportes, tema principal do evento, Heron finalizou, lembrando que “o agronegócio brasileiro, nos últimos 10 anos, cresceu 72%, e nós vamos continuar crescendo, mas vamos precisar urgentemente discutir a necessidade de avançarmos com celeridade nas questões logísticas do país, porque os prejuízos em todos os setores são inúmeros”. 

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