Julho registra alta de 9,9% na exportação do café no Brasil
Cecafé complementa que, no acumulado do ano, as exportações do produto apresentaram uma retração de 5,9% no país
20 de agosto de 2026

O setor exportador do país fechou o balanço de julho com uma notícia promissora: o primeiro mês do ano-safra 2026/2027 registrou o embarque de 3 milhões de sacas (60 kg) de café, o que representa alta de 9,9% em relação ao mesmo mês de 2025. Mas a receita cambial recuou 13,2% no mesmo intervalo, baixando de US$1,042 bilhão para os atuais US$903,9 milhões.
O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, declarou que as exportações de café do Brasil chegaram a 20,8 milhões de sacas no acumulado dos sete primeiros meses de 2026, somando US$7,449 bilhões nas transações comerciais. Na comparação com o intervalo entre janeiro e julho de 2025, contudo, há quedas de 5,9% em volume e de 13,1% em receita.
Os números e dados constam do recente relatório Estatístico Mensal do Cecafé divulgado na última segunda-feira, dia 17. O presidente da entidade destacou que o atraso na colheita e a continuidade dos gargalos logísticos nos portos brasileiros e em seus entornos acarretaram que o volume de exportação de café do Brasil não avançasse como o esperado em julho. Segundo Ferreira, a infraestrutura defasada nos principais portos de exportação do país “segue gerando dificuldades para as cargas conseguirem embarque, gerando milhões de reais em prejuízos aos exportadores”.
Análise do Cecafé avalia os impactos dos gargalos logísticos para o mercado exportador brasileiro
Um outro estudo feito pelo Cecafé comprova que os exportadores do produto encerraram o ano de 2025 com um prejuízo logístico de R$66,1 milhões por conta do esgotamento da infraestrutura portuária e viária do país. De acordo com o levantamento da entidade junto aos associados, as empresas exportadoras registraram um prejuízo de R$4,631 milhões com o não embarque de 1.475 contêineres – o equivalente a 486.303 sacas de 60 kg – estufados com café em dezembro de 2025 por falta de infraestrutura ideal nos principais portos do país.
Apesar das exportações gerais recordes anunciadas, os principais portos seguem enfrentando desafios por falta de condições para cargas conteinerizadas. “Filas de caminhões, pátios lotados, falta de berços, rolagens de cargas, atrasos e alterações de escalas de navios geraram esses prejuízos milionários com armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions”, explica o diretor técnico da entidade, Eduardo Heron.
“Na média mensal, 55% dos navios tiveram atrasos ou alterações de escala e, na média, 1.824 contêineres estufados com café – 601.819 sacas – deixaram de ser exportados a cada mês, o que fez com que o Brasil deixasse de receber US$2,640 bilhões – R$ 14,670 bilhões – como receita cambial em 2025”, afirma o diretor técnico do Cecafé.
Dificuldades no entendimento sobre o panorama de esgotamento portuário
Segundo Heron, a movimentação e os embarques gerais recordes nos portos, anunciados pelas autoridades portuárias, dificultam o entendimento sobre o atual cenário de esgotamento e prejuízos causados aos diversos setores, pois esses resultados do comércio exterior como um todo “mascaram” os desafios enfrentados pelos exportadores, principalmente os de cargas conteinerizadas.
“Não é apenas o café que enfrenta esses entraves na infraestrutura portuária para realizar seus embarques, mas também todas as cargas que dependem de contêineres, conforme apuramos com as lideranças de outros setores, como açúcar e algodão, entre outros”, coloca Heron.
O diretor técnico afirma, também, que é necessário “que nossos governantes tenham ciência dessa realidade e dos prejuízos enfrentados ao cumprimento dos recordes para que executem políticas públicas adequadas para tentar sanar, com celeridade, os gargalos, estimulando diversificação de modais de transporte, ampliando a oferta de capacidade de pátio e berços nos terminais portuários, assim como o aprofundamento de calados para o recebimento de grandes embarcações, por exemplo. Somente assim o país deixará de perder bilhões de dólares em receita”.
O diretor recorda que, no final de 2024, a Associação Comercial de Santos (ACS) promoveu um encontro entre membros da Autoridade Portuária de Santos (APS) e das associações representantes do setor de café (Cecafé), algodão (ANEA), açúcar (AEXA) e produtos originários de árvores (IBÁ). Na oportunidade, os representantes dessas entidades setoriais do agronegócio, que utilizam contêineres para o embarque de suas cargas, puderam relatar suas dificuldades e prejuízos.
“Naquela ocasião, foi possível perceber que os desafios logísticos com o esgotamento da infraestrutura portuária de Santos não afetam apenas o café, mas também outros setores importantes para o porto santista”, lembrou ele. No exemplo do café – completa –, o não embarque do produto por causa da infraestrutura portuária defasada acarreta menor queda de receita para os produtores nacionais.
“O Brasil é o país que mais repassa o valor free on board (FoB) da exportação a seus cafeicultores, a uma média superior a 90% nas últimas safras. Dessa forma, o não embarque de café devido aos gargalos logísticos não representa apenas menor receita cambial e prejuízos aos exportadores, mas, também, menos receita aos cafeicultores, que se dedicam arduamente, enfrentando os desafios que a atividade possui, como as adversidades climáticas e custos de produção elevados, para que possamos entregar a todos os continentes os melhores e mais diversos cafés sustentáveis aos nossos clientes”, finalizou ele.