Assinatura de convênio autoriza estudos técnicos para remoção do navio Pallas no Porto de Itajaí

Fonte: Redação Porto Livre Brasil

Univali e a Autoridade Portuária Federal firmam acordo para retirada de destroços da embarcação, naufragada em 1893 e que tem prejudicado manobras no canal de acesso

Fabricado em 1891 na Inglaterra e incorporado ao Brasil no mesmo ano, o Pallas era usado para carregar alimentos e passageiros entre Rio de Janeiro e Buenos Aires

Nesta segunda-feira, 25 de maio, a Superintendência do Porto de Itajaí assinou um convênio com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e a Autoridade Portuária Federal para o início dos primeiros estudos técnicos destinados à extração do que restou do navio Pallas. Naufragado na foz do rio Itajaí-Açú há 133 anos, o navio hoje obstrui, em parte, o canal de acesso ao complexo portuário localizado no litoral norte de Santa Catarina.

A solenidade de assinatura do convênio constitui um passo estratégico para o futuro da infraestrutura aquaviária do complexo portuário e integra o novo ciclo de retomada e modernização do Porto de Itajaí, sob a gestão do Governo Federal. A iniciativa possibilita a execução das análises técnicas necessárias para planejar a retirada dos destroços do Pallas que estão localizados entre as boias 9 e 11, próximos à Bacia de Evolução nº 2.

Com investimento nessa fase de R$310 mil vindo do Governo Federal, o projeto busca solucionar uma limitação histórica do Porto de Itajaí, cujo canal de acesso tem restrições devido aos destroços, que impedem atualmente o aprofundamento da área e limitam a ampliação da capacidade operacional do complexo. 

Após a remoção da nau e a dragagem de adequação do canal, o complexo poderá ampliar a Bacia de Evolução nº 2 para 530 metros de diâmetro e se preparar para receber embarcações maiores, alinhando-se às novas demandas da navegação internacional.

Além do ganho operacional, a remoção dos destroços representa mais segurança para as manobras, reduzindo custos logísticos e fortalecendo a competitividade do complexo portuário catarinense no cenário global.

Preservação histórica e desenvolvimento portuário

Antes da formalização do convênio, representantes da autoridade portuária e da Univali deram detalhes técnicos do projeto, sobre os desafios da operação com o navio Pallas e os impactos futuros da iniciativa para o desenvolvimento portuário da região. 

Um vídeo institucional destacou que a medida representa “um gesto que une passado e futuro, respeita a história, qualifica o presente e prepara o Porto de Itajaí para novos tempos”. “Esse convênio significa muito mais do que o início de um estudo técnico. Ele simboliza visão, ousadia, retomada e confiança no potencial do Porto de Itajaí”, afirmou o superintendente do porto, Artur Antunes Pereira.

Responsável pela contextualização técnica e histórica do projeto, o professor Jules Souto, da Univali, destacou que os estudos relacionados ao navio começaram ainda na década de 1990 e ganharam força após a localização precisa da embarcação, confirmada somente em 2016. 

Para ele, o trabalho busca conciliar desenvolvimento logístico, responsabilidade técnica e preservação patrimonial. “Nosso objetivo é resolver um problema histórico para os municípios de Itajaí e Navegantes, com responsabilidade técnica, respeito ao patrimônio histórico e da forma mais econômica possível. Acreditamos que também existe uma oportunidade importante de resgate histórico e cultural a partir desse processo”, afirmou.

O docente reforçou que o navio Pallas possui relevância histórica para a região. Naufragada em 25 de outubro de 1893, durante o período da Revolução Federalista, a embarcação permaneceu submersa por mais de um século no canal de acesso ao porto, tornando-se parte da história marítima local.

Também professor da Univale, Luiz Rodolfo Burger enfatizou a integração entre universidade, ciência e setor produtivo. “Estamos unindo excelência acadêmica e força logística para destravar o potencial do complexo portuário. Essa parceria representa coragem, visão de futuro e compromisso com o desenvolvimento regional”, garantiu.

Por sua vez, o gerente do terminal da Portonave, Rodrigo Santa Rita, ressaltou que o projeto representa uma nova etapa para todo o complexo portuário de Itajaí e Navegantes. “Esse projeto marcará o futuro do complexo portuário de Itajaí. Os navios de 366 metros fazem parte da nova realidade da navegação mundial e era fundamental enfrentarmos esse desafio, preservando a memória, mas olhando para o futuro e para o desenvolvimento sustentável”, afirmou o executivo.

Confiança ao mercado internacional

Superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira destacou que o projeto simboliza uma nova etapa na retomada operacional do complexo portuário, agora sob gestão do Governo Federal.

“Em 2025, o Porto de Itajaí retomou suas operações, batendo recordes de movimentação e receita, impulsionando geração de renda e desenvolvimento econômico para nossa cidade e para Santa Catarina. O porto voltou a transmitir confiança ao mercado internacional”, destacou.

Antunes Pereira também mencionou o crescimento das operações de veículos no complexo portuário. “Voltamos a operar com confiança internacional e consolidamos novamente o Porto de Itajaí como referência em operações de alto valor econômico. Isso demonstra que a retomada deixou de ser expectativa e se tornou realidade”.

A autoridade portuária anunciou que o porto iniciou negociações junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para viabilizar o financiamento destinado à futura remoção do Pallas e ao aprofundamento do canal para 16 metros. “Hoje, o Porto de Itajaí voltou a ter capacidade de planejamento, sustentabilidade econômica e condições de pensar alto. Estamos escrevendo um novo capítulo de desenvolvimento, confiança e evolução”, concluiu.

Ex-superintendente  do complexo, João Paulo Tavares Bastos relembrou que a retirada do navio foi uma das primeiras pautas trabalhadas durante sua gestão. “Esta cerimônia é o resultado de muito trabalho e representa apenas o primeiro passo para a solução de um problema centenário que faz parte da história da nossa região”.

Deputado federal por três mandatos e ex-superintendente do Porto de Itajaí e também ex-presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima classificou o momento como histórico para Santa Catarina e para a logística nacional. “Um porto é uma porta para o mundo. É desenvolvimento, geração de empregos, soberania nacional e crescimento econômico. O Porto de Itajaí voltou a ocupar o lugar estratégico que nunca deveria ter perdido”, destacou.

Representando o Congresso Nacional, a deputada federal Ana Paula Lima (PT-SC) falou dos impactos econômicos e sociais da iniciativa para toda a região. “Cada metro de dragagem que hoje não pode ser realizado representa menos cargas, menos empregos e menos desenvolvimento. Esse projeto prepara o Porto de Itajaí para receber navios maiores, ampliar sua competitividade e fortalecer toda a economia regional”, declarou.

O evento contou com a presença de autoridades como o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira; o representante da Univali, professor doutor Luiz Rodolfo Burger; o ex-superintendente do Porto de Itajaí, ex-deputado federal e ex-presidente do Sebrae Nacional Décio Lima; a deputada federal Ana Paula Lima; o ex-superintendente do Porto de Itajaí João Paulo Tavares Bastos; o CEO da JBS Terminais Aristides Júnior; o gerente da Portonave Rodrigo Santa Rita; o professor da Univali e responsável pela parte técnica e histórica do projeto, Jules Souto; e o prefeito de Navegantes, Ricardo Ventura.

Ainda participaram demais representantes civis e portuárias e de diversos órgãos, empresas e instituições, como Delegacia da Capitania dos Portos de Itajaí, Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), SC Portos, Prefeitura Municipal de Itajaí, trade portuário, sindicatos, Câmara de Vereadores de Itajaí, Associação Empresarial de Itajaí e Navegantes e Embratur.

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