Canal de acesso a portos de SC perde profundidade após falha na dragagem

Fonte: CNN Brasil Money

Redução de 30 cm pode impactar em até 10% a movimentação de cargas na região

Foto: Porto de Itajaí (SC)  • Reuters

Jenifer Ribeiro, da CNN Brasil, Rafaela Panessa, da CNN Brasil*

O canal de acesso aos portos de Itajaí e Navegantes, em Santa Catarina, perdeu cerca de 30 centímetros de profundidade operacional após um período de quase dois meses sem dragagem.

A redução pode afetar diretamente a logística portuária. A limitação pode gerar impacto de até 10% na movimentação de cargas nos portos catarinenses, por exemplo.

A profundidade considerada adequada para a operação é de 14 metros, mas caiu para cerca de 13,5 metros. Na prática, a restrição dificulta a entrada de navios de maior porte, especialmente embarcações de contêineres – tipo de carga movimentada pelos dois portos -, que já estavam programadas para atracar na região.

O serviço de dragagem ficou interrompido no início do ano e só foi retomado no começo de abril, por meio de contratação emergencial. Ainda assim, mesmo após cerca de um mês de retomada, a autoridade portuária responsável – a Codeba (Companhia Docas do Estado da Bahia) – não encaminhou à Capitania dos Portos um novo levantamento batimétrico, documento essencial para definir as condições de navegação.

Diante da ausência de atualização, a Capitania dos Portos realizou, na terça-feira (28), uma verificação oficial que apontou a necessidade de uma folga adicional de 30 centímetros abaixo da quilha nas áreas operacionais.

Porto de Itajaí retoma contrato de dragagem após impasse
O último levantamento batimétrico disponível era de janeiro e tinha validade até 22 de março. Já no dia 26 daquele mês, em documento a Capitania havia alertado a autoridade portuária sobre os riscos, em um momento em que o canal estava sem contrato ativo de dragagem.

Essa não é a primeira vez que a região enfrenta o problema. No início de 2025, o serviço também foi interrompido, à época por falta de pagamento à empresa Van Oord, responsável pela dragagem – a mesma companhia que voltou a operar no contrato emergencial atual.

A situação se soma a um histórico recente de instabilidade administrativa e disputas políticas envolvendo o Porto de Itajaí. Após dificuldades financeiras e operacionais da então superintendência local, a gestão foi transferida, em janeiro de 2025, para a Autoridade Portuária de Santos, a pedido do Ministério de Portos e Aeroportos.

A mudança, no entanto, intensificou tensões políticas na região. O gestor indicado à época, João Paulo, foi pré-candidato para prefeitura de Itajaí e foi indicado pelo PT, o que gerou atritos com o então prefeito da cidade, que é do PL. Diante do impasse, o governo federal decidiu transferir novamente a administração do porto, desta vez para a Codeba.

Inicialmente, a companhia não pretendia realizar uma nova contratação emergencial para a dragagem, priorizando a estruturação da concessão definitiva do canal de acesso, segundo apurou a reportagem. No entanto, após pressão de agentes do setor e interlocução com o ministério, a decisão foi revista.

Atualmente, o projeto de concessão do canal de acesso do Porto de Itajaí está em análise no TCU (Tribunal de Contas da União). A expectativa, segundo fontes envolvidas, é que o processo seja levado ao plenário da Corte em junho.

Publicado originalmente na CNN Money

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