O futuro dos portos depende de melhores rodovias

Fonte: BE News

Quando uma rodovia como a BR-101, por exemplo, falha em escoar a produção, perde o porto, perde a indústria, perde o trabalhador, que enfrenta o trânsito pesado diariamente, e perde o País na sua imagem, credibilidade global e na arrecadação de receita aos cofres públicos.

Crédito: Secom/SC

Osmari de Castilho Ribas

O comércio exterior brasileiro vive um momento de transição acelerada. Os novos fluxos comerciais exigem portos dinâmicos, terminais de alta performance operacional e condições de acesso adequadas, sejam elas via terrestre ou aquaviária . Na Portonave, temos o orgulho de carregar o pioneirismo de sermos o primeiro Terminal de Uso Privado (TUP) de contêineres do Brasil. 

Olhando para a nossa história e para o amanhã, não hesitamos em assumir nossa responsabilidade: realizamos atualmente um investimento privado de R$ 2 bilhões na modernização do cais e aquisição de equipamentos elétricos. E o objetivo é claro: expandir a capacidade anual para 2 milhões de TEUs até o fim de 2026 e preparar o nosso terminal para receber a nova geração de megacargueiros de até 400 metros de comprimento.

O impacto dessa engrenagem vai muito além dos nossos limites físicos. A cadeia logística portuária é o coração pulsante da economia catarinense e brasileira. Atrás de cada contêiner embarcado em Navegantes, estão a carga da indústria do sul e do sudeste brasileiro, do mercado de exportação de madeiras e derivados e das gigantes de proteína animal que abastecem os mercados pelo mundo afora. Geramos milhares de empregos diretos e indiretos, movimentamos faturamentos bilionários dos usuários e garantimos a competitividade internacional dos produtos nacionais. 

Contudo, há uma verdade logística da qual não podemos fugir: um porto moderno e eficiente não funciona de forma isolada; depende crucialmente da eficiência dos acessos que levam até os terminais. O acesso terrestre é o pilar fundamental que suporta toda a infraestrutura portuária. É nas rodovias que a riqueza do produto Made in Brazil corre o risco de travar antes mesmo de ver o mar. E é justamente aqui que reside o nosso maior gargalo estrutural.

As dificuldades logísticas enfrentadas diariamente nas BR-101 e BR-470 não são meros transtornos e dificuldades corporativas. São verdadeiras travas bloqueando a economia nacional e a segurança da comunidade, que assiste também a constantes acidentes. Os atrasos crônicos nas obras de duplicação, a saturação das pistas e a falta de readequação de tráfego para frotas pesadas drenam a competitividade do Brasil a cada minuto de engarrafamento – caminhões parados significam custos de frete mais altos, quebras na cadeia de suprimentos e o encarecimento do produto que chega ao consumidor final. 

É imperioso reconhecer e elogiar o papel do Ministério dos Portos e Aeroportos, do Ministério dos Transportes, das agências reguladoras, como a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), e do Governo de Santa Catarina. O diálogo técnico e institucional avança, para buscar integração entre os investimentos privados no setor portuário catarinense e os aportes necessários e emergenciais a serem feitos nessas rodovias. O esforço em destravar pautas de infraestrutura merece o devido crédito. No entanto, o ritmo das soluções rodoviárias, e até as ferroviárias, ainda caminha a passos lentos se comparado à velocidade de expansão das demandas crescentes do mercado.

É uma questão do mais alto interesse público. Quando uma rodovia como a BR-101, por exemplo, falha em escoar a produção, perde o porto, perde a indústria, perde o trabalhador, que enfrenta o trânsito pesado diariamente, e perde o País na sua imagem, credibilidade global e na arrecadação de receita aos cofres públicos.

O investidor privado tem feito rigorosamente a sua parte, ao assumir riscos e transformar a realidade do setor de portos de forma pioneira. Mas o círculo virtuoso do comércio exterior só se completará quando os portos de última geração encontrarem rodovias e acessos de última geração também. 

A logística clama por união, celeridade e investimentos coordenados e maciços nos caminhos que levam aos portos. O futuro do Brasil passa pelos nossos terminais marítimos, mas depende, fundamentalmente, do chão onde pisamos e transitamos todos os dias na busca do gigantismo previsto para o comércio internacional.

Osmari de Castilho Ribas. Diretor-superintendente Administrativo da Portonave.

Publicado originalmente no portal BE NEWS

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