ATP realiza encontro com foco no Brasil dos próximos quatro anos e reforça defesa de planejamento e novos investimentos
Economista e executiva Ana Paula Vescovi
Com o objetivo de propor uma reflexão estratégica sobre os rumos econômicos e geopolíticos do governo eleito e os impactos no desenvolvimento nacional, a Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) realizou nesta terça-feira, 27 de outubro, no Clube Naval de Brasília, o XIII Encontro ATP, com o tema: “O Brasil dos próximos 4 anos”.
Criada em 2013 para atuar em defesa do segmento portuário privado e na modernização dos portos brasileiros, a ATP atualmente representa 41 empresas de grande porte e reúne 78 terminais de uso privado (TUPs) do país. As associadas da ATP movimentam 60% da carga portuária brasileira e respondem pela geração de 47 mil empregos diretos e indiretos.
Crescimento dos TUPs no Brasil
Na abertura do evento, Murillo Barbosa, diretor-presidente da ATP, destacou o trabalho de articulação constante com o governo e com entidades públicas e privadas para garantir segurança jurídica e um ambiente de negócios favorável aos investimentos no setor portuário, de modo a promover a participação ativa do empresariado nas discussões técnicas e jurídicas para contribuir com o crescimento dos terminais de uso privado no Brasil.
“Desde 2013, trabalhamos para representar, fortalecer e impulsionar os terminais privados, que hoje respondem por mais de 2/3 da movimentação portuária do Brasil. Essa trajetória foi construída com diálogo, transparência e compromisso com a eficiência, a competitividade e a sustentabilidade”, destacou seu presidente. “Ao longo destes anos, ampliamos nossa participação nos debates nacionais e consolidamos uma voz ativa na defesa das condições que permitam ao setor investir e construir cada vez mais para o país”.
O evento da entidade, em Brasília, é tradicional e reúne empresários, executivos e gestores públicos do setor e o tema deste ano mira o futuro dos investimentos, os negócios, a segurança jurídica e as novas oportunidades para o comércio internacional. Para Barbosa, toda a reflexão faz parte do trabalho cotidiano do setor portuário. “Nossos investimentos exigem planejamento, confiança e uma visão que alcança décadas. Cada terminal construído, cada operação ampliada e cada tecnologia incorporada representam uma aposta no futuro do Brasil. E é dessa perspectiva que participamos do debate nos próximos anos, com responsabilidade, experiência e disposição para contribuir”, assegurou.
Na continuidade de seu discurso, Barbosa reafirmou o compromisso da ATP na defesa de planejamento integrado, segurança jurídica, previsibilidade regulatória e processos públicos eficientes. Segundo ele, tais condições dão confiança a quem investe e permitem que os projetos se convertam em capacidade, empregos e desenvolvimento. Destacou ainda que a ATP trabalha para contribuir com essa agenda, levando a experiência dos seus associados a um diálogo com o poder público e com a sociedade.
A importância dos investimentos privados no setor portuário
Frederico Dias, diretor geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), reforçou que era muito oportuna a temática do evento: o Brasil dos próximos quatro anos. “Sem dúvida que o país precisa focar em produtividade e crescimento, que é algo que tem tudo a ver com a infraestrutura. Quando a gente olha esse panorama dos próximos quatro anos, é difícil fugir de uma estabilidade econômica, que o país vem buscando”, disse.
“Com o nosso reconhecimento de que as despesas obrigatórias do Brasil continuarão crescendo e de que haverá uma necessidade de estabilidade fiscal, o espaço do orçamento discricionário será cada vez menor, o que significa que o Governo Federal aos poucos vai perdendo a sua capacidade de investir, o que faz com que o investimento privado seja cada vez mais importante, especialmente em infraestrutura”, analisou o diretor geral da Antaq.
Na sua participação, Otto Luiz Burlier da Silveira Filho, secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), destacou que todos ali precisavam celebrar a importância da continuidade da atual gestão, “porque quem lida com infraestrutura sabe que necessitamos de previsibilidade e visão de médio e longo prazo”, acrescentou. Burlier reafirmou que era um compromisso da gestão lutar para tornar a matriz logística brasileira mais equilibrada. “A palavra de ordem no setor é resiliência. É por isso que eventos como este são tão relevantes”, detalhou, dizendo que “a nossa agenda aqui não é apenas econômica, é uma agenda sustentável, ambiental e também social”.
A importância do trabalho conjunto
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, afirmou que o Governo Federal realizou, nos últimos anos, o maior conjunto de leilões do país, “quase 30”. “Temos mais três leilões para realizar agora no mês de dezembro, o que mostra a importância do trabalho conjunto realizado por todas as entidades públicas e privadas em prol do setor portuário”, disse.
Sobre os quatro anos do novo mandato do presidente Lula, de 2027 a 2030, e os seus impactos no desenvolvimento nacional, em um ambiente de investimentos e de competitividade do país, Franca falou da importância da estabilidade regulatória. “A infraestrutura de que o nosso país precisa não será construída por uma única instituição, por um único governo ou apenas com recursos públicos. Será construída pela nossa capacidade de caminharmos juntos, Governo Federal, Congresso Nacional, tribunais, órgãos de controle, agências reguladoras, iniciativa privada, investidores, trabalhadores, academia, imprensa e sociedade”, ressaltou o ministro.
Para trazer uma visão sobre a economia e as finanças nacionais e, claro, as contas nacionais, a economista Ana Paula Vescovi traçou um cenário e o ambiente internacional no qual o Brasil se insere. Ana Paula foi por mais de sete anos economista-chefe e diretora de Macroeconomia do Banco Santander no Brasil, anteriormente atuou no governo federal como secretária do Tesouro e secretária-executiva do Ministério da Fazenda, ao lado dos ex-ministros Henrique Meirelles e Eduardo Guardia.
O encontro da ATP contou também, na abertura pela manhã, com as presenças Valter Luís de Souza, diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Viviane Esse, secretária nacional de Transporte Rodoviário do Ministério dos Transportes; Thairyne Oliveira, secretária executiva do Ministério de Portos e Aeroportos; e Tomé Franca, ministro de Portos e Aeroportos.
Economista e executiva Ana Paula Vescovi