Novos projetos aquecem o mercado e garantem mais capacidade com investimentos nos portos privados

Fonte: Redação Porto Livre Brasil
6 de novembro de 2026

Porto do Meio, como novo terminal privado no estado do Rio de Janeiro, e Imetame Logística Porto, no Espírito Santo, são inovadores em desenvolvimento e surgem como oportunidades para renovar o cenário do transporte marítimo e do comércio exterior brasileiro

 

Para colaborar com a ampliação da capacidade dos portos brasileiros e minimizar o impacto dos gargalos logísticos que freiam a infraestrutura nacional, o setor portuário brasileiro se prepara para a entrada em cena de dois novos projetos privados até o final da década: o Porto do Meio, em Itaguaí (RJ), e o Imetame Logística Porto, em Aracruz (ES). 

Focados em alta capacidade e com conexões ferroviárias diretas, os projetos entram na fase decisiva de implementação para transformar a rota de escoamento tanto de minérios quanto de contêineres na Região Sudeste. Juntos, os dois empreendimentos podem impulsionar o transporte de commodities e cargas gerais na região, oferecendo alternativas em eficiência ferroviária e de navegação na principal rota de exportação do país. 

De Itaguaí para o mundo

Em 13 de outubro, o grupo de Minas Gerais Cedro Participações recebeu da Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca), do Rio de Janeiro, a autorização para a emissão da Licença Ambiental Integrada (LAI) para a implantação do Porto do Meio, terminal dedicado a minério de ferro em Itaguaí (RJ).

Com investimentos estimados em R$ 3,6 bilhões e obras durante os próximos três anos, o terminal ocupará aproximadamente 250 mil m² e está projetado para capacidade inicial de movimentação de 15 milhões de toneladas por ano, mas que poderá subir a 24 milhões em futura expansão. A construção prevê ofertar cerca de 3 mil empregos, diretos e indiretos, no auge das obras. 

Conectado à malha ferroviária da companhia MRS Logística, o terminal fortalecerá a autonomia da Cedro Mineração nas exportações das produções das minas próprias em Nova Lima e Mariana, e também permitirá atender outras mineradoras. O investimento no Porto do Meio integra a estratégia de expansão da companhia de mais do que dobrar a produção anual de minério de ferro até 2032, ampliando sua competitividade no mercado internacional.

“Esse projeto é fruto da nossa avaliação para os próximos anos dos setores portuário e mineral no Brasil. Temos metas de produzir mais minério, e o terminal é vital para o nosso plano de crescimento até o início da próxima década”, afirmou José Carlos Martins, presidente do conselho da Cedro Participações. 

Com a emissão da licença ambiental integrada no último mês, o início das obras e as contratações ocorrem de forma imediata a partir do fim de 2026, projetando a entrada em operação oficial no primeiro trimestre de 2030. Com o andamento do cronograma, a empresa foca ainda em outro projeto: a expansão da mina de minério de ferro em Mariana (MG). 

Juntos, ambos os projetos receberão investimentos estimados em R$ 7,1 bilhões e têm o objetivo ambicioso de controlar toda a cadeia do minério de ferro, desde a extração até o embarque, cuja estratégia integrada conecta o aumento da capacidade produtiva a uma estrutura de escoamento mais vigorosa. 

Fundada em 2018, a holding mineira, de capital fechado, executa um plano de investimentos no objetivo de alcançar, a partir de 2032, uma produção anual de 20 milhões de toneladas de minério de ferro.

Para tornar o país um dos principais players da logística portuária mundial, grupo Imetame e Suzano investem em terminal

Por sua vez, o futuro terminal do Imetame Logística Porto, em Aracruz (ES), promete otimizar a movimentação de contêineres, carga geral, granel sólido, granel líquido e ship to ship, com o objetivo de elevar a eficiência operacional e a competitividade, fortalecendo a posição do Brasil entre os principais players da logística global. 

Diferente de um projeto puramente isolado, o Imetame costurou parcerias com gigantes globais para garantir que o porto não nascesse em busca de cargas. O terminal de contêineres, batizado de HGT Aracruz, é fruto de uma joint venture com a Hanseatic Global Terminals (HGT), braço logístico do grupo Hapag-Lloyd, uma das cinco maiores empresas de navegação do mundo, o que significa que o porto terá rotas garantidas na região.

Em setembro deste ano, o grupo de celulose e papel Suzano comprou 10% de participação do projeto do grupo capixaba. A negociação envolveu a cessão de terrenos estratégicos da papeleira em Aracruz para a expansão do complexo portuário. Como a Suzano opera uma de suas maiores unidades de celulose na região, o investimento impulsiona o complexo a outro player de peso. 

No mês passado, o conselho diretor do Fundo da Marinha Mercante (FMM) aprovou a prioridade de financiamento de R$ 1,12 bilhão para o projeto do terminal de contêineres da HGT/Imetame. O montante é considerado o motor financeiro para garantir o cumprimento dos prazos da fase de contêineres. O custo total do complexo está na casa dos R$ 2,7 bilhões.

Composta por um quebra-mar de 2,3 km e por mais de 90% da dragagem realizada, a infraestrutura física deverá estar pronta ainda no final deste 2026. Pelo projeto, o plano é receber o primeiro navio (provavelmente, de importação de veículos) ainda no primeiro semestre de 2027, além de cargas do agronegócio e outros produtos em granel, como minérios e líquidos.

Ainda que os primeiros 750 metros do cais de contêineres já estejam com as estacas concluídas e plataformas concretadas, a operação comercial da área (com capacidade projetada de 1,2 milhão de TEUs/ano) só entrará em atividade em meados de 2028.

A capacidade inicial de contêineres da Aracruz (de 1,2 milhão de TEUs) representa 3,5 vezes tudo o que o atual Porto de Vitória movimenta hoje e equivale a cerca de 36% de toda a movimentação do Porto de Santos, o maior da América Latina. 

O calado de 17 metros vai permitir que o Espírito Santo receba navios da chamada classe New Panamax em sua carga máxima, algo ainda limitado na maioria dos portos do país.

Demora do poder público na nova via estadual

Embora o cronograma do porto privado esteja avançando a passos largos, o poder público está atrasado. O setor produtivo capixaba está fortemente preocupado com as obras do Contorno Sul de Aracruz (uma via estadual de 19,9 km, orçada em R$ 164 milhões). A rodovia é fundamental para desviar o trânsito de carretas pesadas (que trarão cargas vindas da BR-101) do espaço urbano no centro da cidade de Aracruz.

O governo estadual emitiu a ordem de serviço para a rodovia em 2024, prevendo a entrega para o início de 2027 (junto com o início previsto para o novo porto), mas as obras atrasaram por conta de entraves de desapropriação, e novos prazos empurram, agora, a operação da nova via para o final de 2027. Executivos do setor alertam que, se o porto abrir no início de 2027 e a rodovia não estiver pronta, o fluxo logístico terrestre vai travar o centro da cidade.

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