Sul Export 2026 trouxe debates de alto nível para o futuro do setor portuário brasileiro

Fonte: Redação Porto Livre Brasil
21 de setembro de 2026

Foto: Wellington Sauer/Estúdio Douglas Guimarães

 

A conectividade logística portuária, os gargalos urbanos e a melhoria do escoamento dos contêineres e das cargas até os portos foram alguns dos assuntos que estiveram no centro de debates do Sul Export, encontro regional de excelência do Grupo Brasil Export e do setor portuário brasileiro.

Realizado nos dias 17 e 18 de setembro, em Foz do Iguaçu (PR), a agenda reuniu dezenas de personalidades para delinear os rumos do comércio exportador do país. Vários painéis temáticos trataram de questões como a integração entre modais rodoviários e ferroviários e recintos alfandegados, com foco na eficiência do escoamento de cargas na região Sul e nos gargalos da logística transfronteiriça, especialmente na região da tríplice fronteira.

Durante o encontro, o diretor-superintendente administrativo da Portonave, Osmari de Castilho Ribas, assumiu a presidência do Conselho Sul Export. Ao comentar a nova responsabilidade, Castilho destacou a disposição de participar das discussões do setor e contribuir para a agenda regional.

“É uma grande honra, um grande desafio assumir a presidência do Sul Export. Espero poder colaborar com as discussões, trazer temas relevantes e estar ativo em todo o diálogo”, afirmou o executivo.

A mudança no comando do conselho coloca à frente do fórum regional um profissional com grande experiência e intensa atuação no setor de terminais portuários e logística, bem como no centro das discussões sobre infraestrutura e desenvolvimento portuário da Região Sul, de forma a manter o diálogo entre empresas, autoridades públicas e demais integrantes da cadeia de logística e transporte.

Castilho participou do painel “Desafios para o desenvolvimento e concessão de hidrovias e serviços nos portos da Região Sul”, ao lado de representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, SCPar e Tecon Rio Grande. A pauta incluiu debates sobre concessões de hidrovias e serviços portuários, atração de capital privado, dragagem estruturante, manutenção de calados, resiliência climática e previsibilidade dos acessos aquaviários.

Falta de previsibilidade e de manutenção e impacto à cadeia logística

A presidência de Castilho coincide com o recente anúncio da Portonave de investir mais de R$2 bilhões na modernização do cais e na aquisição de novos equipamentos, capaz de projetar um patamar de movimentação de até 2 milhões de TEUs com a entrega das obras no final deste ano de 2026.

Durante o painel, no momento em que os participantes abordaram experiências de concessões, propostas para ampliar a atração de capital privado e questões relacionadas à resiliência climática, dragagem estruturante e manutenção dos calados, Castilho foi indagado se ele concordava com o programa de concessões de canais de navegação do Governo Federal e, especificamente, em relação ao canal do rio Itajaí-Açu, que atende aos portos de Itajaí e Navegantes.

“Eu concordo em relação à necessidade de concessão. Nós vivemos uma realidade muito difícil em Itajaí, pela falta de previsibilidade, pela ausência de manutenção e pelo impacto que isso vem acarretando à operação e a toda a cadeia logística dos portos de Itajaí e Navegantes”, frisou. “Está muito claro para nós que essa concessão já deveria ter andado muito mais rápido. E nós, como iniciativa privada, que fazemos os investimentos, temos esse olhar da necessidade de previsibilidade e de um cronograma que possamos acompanhar”, acrescentou.

Nas palavras de Castilho, “hoje, nós estamos com restrição de 1m10 de profundidade do canal de Itajaí. Já estamos sofrendo com isso há bastante tempo. Então, isso constitui um impacto muito negativo, pela importância que têm hoje os portos de Itajaí e Navegantes, que movimentam perto de 2 milhões de TEUs por ano”, disse. “E, quando isso for ao mercado, nós teremos ainda um processo de execução dessas obras. E mais: não faz sentido termos portos na mesma linha [de capacidade] com profundidades diferentes, o que, na realidade, não limita o porto, limita o armador”, argumentou.

Janela de oportunidade para o crescimento do setor portuário

O Sul Export 2026 ocorre em um momento nacional de grande discussão sobre a ampliação da infraestrutura aquaviária e sobre medidas capazes de ampliar a eficiência operacional dos fluxos de comércio exterior no país. O fórum colocou em pauta questões como os portos secos da Região Sul e as estruturas utilizadas no processamento aduaneiro e na movimentação de mercadorias que cruzam as fronteiras terrestres.

A programação ainda abordou temas como estratégia e cadeia de suprimentos da indústria naval e offshore e abriu espaço para o InfraESG, voltado ao financiamento verde e aos critérios de sustentabilidade aplicados à infraestrutura rodoviária.

Durante os dois dias, estiveram nos debates representantes de segmentos como o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Foz do Iguaçu (Sindifoz), Celso Gallegario; o presidente da Multilog, Djalma Vilela; a vice-presidente executiva da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), Gladys Vinci; o diretor de Integração de Modais da Secretaria de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina (SPAF), Lucas Ataliba; e o titular da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Marcelo Mossi Vendramini, dentre outros.

 

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